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Procuração em Portugal: guia 2026

Tipos de procuração, como conceder e revogar, custos, requisitos e quando precisa de uma para imóveis, negócios ou assuntos de imigração.

10 min de leituraUpdated Fevereiro de 2026Download PDF
€50–150
Custo notarial
No mesmo dia
Processamento
2 tipos
Geral e especial
Revogável
A qualquer momento

Uma Procuração é um documento legal que lhe permite nomear alguém para gerir os seus assuntos em Portugal. Isto é útil se não puder estar fisicamente presente para tratar de tarefas como abrir uma conta bancária, comprar um imóvel ou lidar com agências governamentais.

O que é uma procuração?

Uma procuração é um documento jurídico que autoriza uma pessoa (o representante — procurador) a agir em nome de outra pessoa (o principal — constituinte) em assuntos jurídicos, financeiros ou administrativos. É um dos instrumentos legais mais utilizados em Portugal, especialmente por residentes estrangeiros e investidores que nem sempre podem estar fisicamente presentes.

A procuração é regulada pelos artigos 262.º a 269.º do Código Civil português. Deve ser feita por escrito e, para a maioria dos efeitos práticos, reconhecida notarialmente para ser aceite por instituições portuguesas.

Princípio essencial

A procuração não transfere propriedade nem direitos — apenas concede autoridade para agir em seu nome dentro dos limites específicos que definir. Continua sempre a ser o titular legal e a pessoa que toma as decisões.

Tipos de procuração

A lei portuguesa reconhece vários tipos de procuração, cada um adequado a situações diferentes:

TipoÂmbitoUso comum
Geral (Geral)Autoridade ampla para múltiplos atosGerir todos os assuntos durante ausências prolongadas no estrangeiro
Especial (Especial)Limitada a atos ou transações específicasComprar/vender imóvel, assinar um contrato específico
Irrevogável (Irrevogável)Não pode ser revogada unilateralmenteRara; usada em acordos empresariais específicos
Com substabelecimento (Com Substabelecimento)O procurador pode delegar noutra pessoaTransações complexas com várias partes

Recomendação prática

Na maioria das situações — especialmente transações imobiliárias e assuntos de imigração — a procuração especial é a opção mais segura. Limita os poderes do procurador exatamente ao necessário, reduzindo riscos e mantendo plena funcionalidade.

Quando precisa de uma procuração?

Uma procuração é essencial em muitas situações relacionadas com Portugal, sobretudo quando não pode estar fisicamente presente. Os cenários mais comuns incluem:

Transações imobiliárias

  • Comprar ou vender imóveis quando não pode comparecer à assinatura da escritura
  • Gerir imóveis arrendados: assinar contratos, tratar da manutenção e lidar com inquilinos
  • Representá-lo em assembleias de condomínio
  • Tratar de registos prediais e matérias fiscais

Imigração e cidadania

  • Submeter pedidos de visto ou residência em seu nome
  • Comparecer a marcações no SEF/AIMA quando está no estrangeiro
  • Recolher documentos (NIF, cartão de residência) em repartições públicas
  • Representá-lo em processos de nacionalidade

Negócios e sociedades

  • Registar uma empresa quando os sócios estão no estrangeiro
  • Assinar contratos e acordos em nome de uma sociedade
  • Representá-lo em assembleias de sócios
  • Abrir ou gerir contas bancárias

Assuntos pessoais e familiares

  • Gerir assuntos financeiros durante ausências prolongadas
  • Tratar de processos sucessórios
  • Representá-lo em processos judiciais
  • Gerir decisões de saúde com uma procuração médica específica

Como conceder uma procuração em Portugal

Conceder uma procuração em Portugal é um processo simples quando é feito corretamente:

1

Definir o âmbito

Defina claramente quais os atos que o procurador ficará autorizado a praticar. Quanto mais específico for o âmbito, mais segura será a procuração. Para imóveis, inclua os dados exatos do imóvel (morada, número de registo). Para imigração, especifique quais os pedidos e serviços abrangidos.

2

Redigir o documento

A procuração deve ser redigida em português (ou em formato bilingue) e incluir: identificação completa de ambas as partes (nome, nacionalidade, passaporte/ID, número fiscal, morada), poderes específicos concedidos, limitações ou condições e duração, se for limitada.

3

Reconhecimento notarial

Dirija-se a um notário português (Cartório Notarial) com os seus documentos de identificação. O notário verificará a sua identidade, confirmará que compreende o documento e certificá-lo-á com o selo oficial. Não é necessário que ambas as partes estejam presentes — apenas o constituinte.

4

Registo, se necessário

Para certos tipos de procuração, especialmente relacionadas com imóveis, o documento pode ter de ser registado na Conservatória do Registo Predial. O notário indicará se este passo é necessário.

Documentos necessários

Leve ao notário: passaporte ou cartão de identificação válido, NIF português e o texto da procuração. Se a procuração envolver imóvel, leve também a Caderneta Predial e a Certidão do Registo Predial do imóvel.

Conceder uma procuração a partir do estrangeiro

Se não estiver em Portugal, ainda pode conceder uma procuração através de vários métodos:

Num consulado português

O método mais direto. Dirija-se ao Consulado de Portugal no seu país e assine a procuração perante um funcionário consular, que atua como notário. O documento terá a mesma força jurídica que uma procuração reconhecida em Portugal. Não é necessária Apostille para documentos consulares.

Num notário local + Apostille

Assine a procuração perante um notário no seu país e obtenha depois uma Apostille junto da autoridade competente. O documento precisará então de tradução certificada para português e reconhecimento da tradução em Portugal. Este método é mais complexo, mas está disponível em todos os países da Convenção de Haia.

Procuração digital

Portugal está a introduzir gradualmente opções digitais. Alguns procedimentos já aceitam procurações assinadas com assinatura eletrónica qualificada. Contudo, para transações imobiliárias e a maioria dos processos jurídicos, uma procuração notarial tradicional continua normalmente a ser exigida.

O consulado é o caminho mais rápido

Se houver um Consulado de Portugal acessível no seu país, esta é quase sempre a opção mais rápida e económica. Sem Apostille, sem tradução e sem reconhecimento adicional — a procuração consular é imediatamente válida em Portugal.

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Custos de uma procuração

Os custos variam conforme o método e a complexidade:

MétodoCusto aproximadoNotas
Notário em Portugal€50–150Depende da complexidade e do notário
Consulado português no estrangeiro€50–100Varia por consulado
Notário estrangeiro + Apostille + tradução€150–400Mais caro devido às várias etapas
Revogação€30–80Em qualquer notário em Portugal

Honorários jurídicos

Se contratar um advogado para redigir a procuração (recomendado em matérias complexas como transações imobiliárias), acrescente €100–300 em honorários. Isto assegura que o documento cobre todos os poderes necessários e protege os seus interesses.

Como revogar uma procuração

Uma procuração pode ser revogada a qualquer momento pelo constituinte (salvo se tiver sido especificamente concedida como irrevogável). O processo de revogação é simples:

1

Assinar o documento de revogação

Dirija-se a um notário e assine uma revogação de procuração. Isto cancela formalmente a procuração.

2

Notificar o procurador

O procurador deve ser formalmente notificado da revogação. Envie uma carta registada com aviso de receção para criar prova documental.

3

Notificar terceiros

Se a procuração foi usada junto de instituições específicas (bancos, conservatórias, Autoridade Tributária), notifique-as diretamente de que a procuração foi revogada. Até serem notificadas, o procurador ainda poderá conseguir agir em seu nome.

Cessação automática

A procuração termina automaticamente com a morte do constituinte ou do procurador, com a conclusão da tarefa específica (em procurações especiais) ou com o fim do prazo indicado. Ainda assim, é sempre preferível revogá-la formalmente para evitar ambiguidades.

Riscos e salvaguardas

Embora a procuração seja uma ferramenta essencial, envolve riscos inerentes. Eis as principais salvaguardas:

  • Use sempre uma procuração especial, e não geral, salvo se for absolutamente necessário — limite a autoridade do procurador a atos específicos
  • Inclua uma data de validade — procurações sem termo criam risco desnecessário
  • Escolha cuidadosamente o procurador — essa pessoa terá autoridade legal para agir como se fosse você
  • Use um advogado como procurador em transações complexas — está sujeito a deveres éticos profissionais e seguro de responsabilidade
  • Guarde uma cópia da procuração e de toda a correspondência relacionada
  • Leia atentamente o texto antes de assinar — certifique-se de que compreende todos os poderes concedidos
  • Nunca assine uma procuração numa língua que não compreende sem tradução independente
  • Para transações imobiliárias, confirme que a procuração identifica o imóvel exato e o preço máximo para compras ou mínimo para vendas

Frequently Asked Questions

Passo a passo

  1. 1

    Elabore a Procuração, definindo os poderes específicos que pretende conceder.

  2. 2

    Assine o documento perante um Notário, seja em Portugal ou num consulado português no estrangeiro.

  3. 3

    Se assinado fora de Portugal, apostile ou legalize o documento.

  4. 4

    Envie o original ou uma cópia autenticada ao seu representante em Portugal.

  5. 5

    O seu representante pode agora agir legalmente em seu nome para as tarefas autorizadas.

Esta é uma visão geral. Na prática, os passos dependem frequentemente da sua situação específica.

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